quinta-feira, 26 de julho de 2012

APESAR DE VOCÊ - CHICO BUARQUE




(Crescendo) Amanhã vai ser outro día x 3


Hoje você é quem manda
Falou, tá falado
Não tem discussão, não.
A minha gente hoje anda
Falando de lado e olhando pro chão.
Viu?
Você que inventou esse Estado
Inventou de inventar
Toda escuridão
Você que inventou o pecado
Esqueceu-se de inventar o perdão.



(Coro) Apesar de você
amanhã há de ser outro dia.
Eu pergunto a você onde vai se esconder
Da enorme euforia?
Como vai proibir
Quando o galo insistir em cantar?
Água nova brotando
E a gente se amando sem parar.



Quando chegar o momento
Esse meu sofrimento
Vou cobrar com juros. Juro!
Todo esse amor reprimido,
Esse grito contido,
Esse samba no escuro.



Você que inventou a tristeza
Ora tenha a fineza
de “desinventar”.
Você vai pagar, e é dobrado,
Cada lágrima rolada
Nesse meu penar.



(Coro2) Apesar de você
Amanhã há de ser outro dia.
Ainda pago pra ver
O jardim florescer
Qual você não queria.



Você vai se amargar
Vendo o dia raiar
Sem lhe pedir licença.



E eu vou morrer de rir
E esse dia há de vir
antes do que você pensa.
Apesar de você



(Coro3)Apesar de você
Amanhã há de ser outro dia.
Você vai ter que ver
A manhã renascer
E esbanjar poesia.



Como vai se explicar
Vendo o céu clarear, de repente,
Impunemente?
Como vai abafar
Nosso coro a cantar,
Na sua frente.
Apesar de você



(Coro4)Apesar de você
Amanhã há de ser outro dia.
Você vai se dar mal, etc e tal,
La, laiá, la laiá, la laiá…



“Apesar de você” é uma música de protesto, onde Chico fala sobre o AI5 decretado pelo general Carrastazu Médice, ato institucional mais sangrento da ditadura militar. Ato que coibia qualquer liberdade de expressão.
A música começa com a mensagem “Amanhã vai ser outro dia”, aumentando o tom a cada repetição, como se fosse a esperança a falar cada vez mais alto. Em seguida o ritmo é ditado pelo “hoje você é quem manda falou tá falado… Dirigindo-se diretamente ao ditador contestando-o. A segunda estrofe começa com o refrão “Apesar de você amanhã há de ser outro dia”, seguida duas perguntas: Onde vai se esconder da enorme euforia?( Do povo pela liberdade)e Como vai proibir quando o galo insistir em cantar? “água nova brotando e a gente se amando sem parar”, ou seja: Como pode proibir algo tão natural?
E daí por diante, como numa revolução, uma série de contestações vão se ampliando até se tornar irrecusável prosseguir…
Na estrofe seguinte, o autor faz um desabafo: “Quando chegar o momento esse meu sofrimento eu vou cobrar com juro, juro! Todo esse amor reprimido esse grito contido esse samba no escuro”, referindo-se a vontade de se expressar e não poder e, “esse samba no escuro” é a própria musica implícita.
Depois de outro refrão, o narrador começa a alertar o ditador de uma outra realidade futura: “Você vai se amargar vendo o dia raiar sem lhe pedir licença” e depois “Eu vou morrer de rir e esse dia há de vir antes que você pensa”, Como se já soubesse quando seria a queda da ditadura.
Após outro refrão, Chico pergunta ao ditador, na hora do acerto de contas o que ele faria: “Como vai se explicar vendo o céu clarear, de repente impunemente? Como se ele(o ditador)nada pudesse fazer para impedir a liberdade anunciada, nem calar o povo. E enfim, a última estrofe que, é outro coro, viria punir o vilão de uma vez por todas nesse da tão sonhado ideal de liberdade.
Valeu Chico!
Comentário by Cristóvany Fróes

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