quinta-feira, 26 de julho de 2012

AVOHAI - ZÉ RAMALHO




Um velho cruza a soleira
De botas longas, de barbas longas
De ouro o brilho do seu colar
Na laje fria onde coarava
Sua camisa e seu alforje de caçador

Oh meu velho e invisível Avôhai
Oh meu velho e indivisível Avôhai

Neblina turva e brilhante em meu cérebro coágulos de sol
Amanita matutina e que transparente cortina ao meu redor
E se eu disser que é meio sabido você diz que é meio pior
E pior do que planeta quando perde o girassol
É o terço de brilhante nos dedos de minha avó
E nunca mais eu tive medo da porteira
Nem também da companheira que nunca dormia só

Avôhai… Avô e pai
Avôhai

O brejo cruza a poeira de fato existe
Um tom mais leve na palidez desse pessoal
Pares de olhos tão profundos
Que amargam as pessoas que fitar
Mas que bebem sua vida, sua alma na altura que mandar
São os olhos, são as asas
Cabelos de avôhai…

Na pedra de turmalina e no terreiro da usina eu me criei
Voava de madrugada e na cratera condenada eu me calei
Se eu calei foi de tristeza, você cala por calar
E calado vai ficando, só fala quando eu mandar
Rebuscando a consciência, com medo de viajar
Até o meio da cabeça do cometa, girando na carrapeta
No jogo de improvisar
Entrecortando eu sigo dentro a linha reta
Eu tenho a palavra certa
Pra doutor não reclamar

Avôhai… Avôhai
Avôhai… Avôhai


"Ola, sou pesquisador vamos à compreensão correta.
Avohai… avô e pai,
Como o próprio descreve na musica… ele anotou durante a composição da letra pois temia esquecer o verdadeiro significado de avohai após o efeito dos alucinógenos. OBS.: Não estou criticando, apenas explicando leiam tudo….
Um velho cruza a soleira
De botas longas, de barbas longas
De ouro o brilho do seu colar
Na laje fria onde coarava
Sua camisa e seu alforje de caçador..
Remete a visão que ele teve de seu avô, seu avô cruzando a soleira assim como ele vive em suas memórias, essa laje fria significa que essa visão foi no túmulo de seu avô, não necessariamente que ele estava no cemitério, mais sim que ele estava perante sua lapide quando teve a visão, Hoje, após muita pesquisa eu descobri que o velho avô de Zé ramalho fora enterrado com sua camisa e alforje da qual se orgulhava por ser um caçador.
Neblina turva e brilhante em meu cérebro coágulos de sol
Revela a imprecisão da visão que ele tem de seu avô, é comum não nos lembrarmos da face de alguém logo após sua morte.
Amanita matutina e que transparente cortina ao meu redor
Uma pedra usada para gerar bons fluidos
E se eu disser que é meio sabido você diz que é meio pior
Remete às correções que seu avô fazia a respeito do uso do bom português
E pior do que planeta quando perde o girassol
É o terço de brilhante nos dedos de minha avó
esse terço de brilhantes que sua avó levará durante muitos anos em seus dedos, fora a jóia que seu avô a tinha presenteado que a fazia lembrar de seu amado e adultero marido.
E nunca mais eu tive medo da porteira
Zé ramalho tinha visões sobre seu pai morto quando cruzava a porteira que rumava em direção ao açude que seu paio morreu afogado.
Nem também da companheira que nunca dormia só
A alma de seu pai afixada na porteira.
O brejo cruza a poeira de fato existe
Um tom mais leve na palidez desse pessoal
Pares de olhos tão profundos
Que amargam as pessoas que fitar
Mas que bebem sua vida, sua alma na altura que mandar
Descreve a visão de pessoas mortas, também a angustia em ter as visões, “bebem sua vida”.
São os olhos, são as asas
Cabelos de avôhai…
Reconhecimento de seu avô em sua visão.
Na pedra de turmalina e no terreiro da usina eu me criei
Alguns traços da difícil juventude de Zé…
Voava de madrugada e na cratera condenada eu me calei
Zé Ramalho estava fora de casa quando seu avô morreu. Cratera condenada = cemitério.
Se eu calei foi de tristeza, você cala por calar
E calado vai ficando, só fala quando eu mandar
Rebuscando a consciência, com medo de viajar
Revolta pela morte de seu avô. Eles eram brigados na época. Zé ramalho foi expulso de casa e nunca mais falou com o velho.
Até o meio da cabeça do cometa, girando na carrapeta
No jogo de improvisar
Improviso de desculpas a seus familiares pelo temor que tinha de se encontrar com seu avô já depois de morto. Nota.: Explicarei isto melhor no final.
Entre cortando eu sigo dentro a linha reta
Eu tenho a palavra certa
Pra doutor não reclamar
Esforço para o psicólogo que a familia o obrigou a ir não taxar-lo como loco.
Bom, em suma Zé Ramalho perde seu pai muito cedo e recebe os cuidados de seu avô um homem rústico e severo, Zé ramalho tinha medo, pois, dizia que tinha visões de seu pai em uma porteira que fazia rumo ao local de sua morte.
Um dia Zé ramalho resolve contar de seu medo ao seu avô, o velho diz a ele que não deveria mais temer e que apesar de não se darem muito bem ele tinha consciência de que estava fazendo a coisa certa (criando Zé com firmeza e rigidez) porém que ele já sabia que morreria com eles sem se falarem a anos e avisou que isso iria incomodar o pequeno Zé Ramalho por muito tempo, porém disse também que iria aparecer depois de morto para Zé Ramalho lhe pedir desculpas, e assim se fez.
Zé Ramalho retornou 20 anos após a aquela mesma porteira, tomou um alucinógeno, e teve a visão de seu avô e pode lhe pedir desculpas por tanto criticar sua criação rústica.
2 anos de estudo sobre a letra, é minha tese de mestrado do curso de literatura na USP, publicado na revista LiterarieSoulthUSA e Revista Nacional de Literatura, podem conferirir na integra, espero ter ajudado.
Comentário by wardrickson 

8 comentários:

  1. Nossa, que incrível descrição, linda,parabéns!

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  2. Tese muito bem escolhida e incrivelmente bem feita...

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  3. ONde consigo sua tese na integra?
    Favor encaminhar ao meu email se possível
    gabriel.neme@hotmail.com

    Assim como Zé, fui criado por toda a minha infância pelo meu avô Raimundo e sinto um orgulho muito grande de poder aprender com essa música, pois pude homenagear o meu avô em vida, tatoei AvôHai no peito ao lado do coração!
    Avô, Filho e Pai!
    Obrigado!

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  4. Carlos A Gonçalves 23 de outubro 2016

    Foi como ouvir a musica,achei otimo
    obrigado
    carlos8.azevedo@hotmail.com

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