quinta-feira, 26 de julho de 2012

FUTUROS AMANTES - CHICO BUARQUE




Não se afobe, não
Que nada é pra já
O amor não tem pressa
Ele pode esperar em silêncio
Num fundo de armário
Na posta-restante
Milênios, milênios
No ar

E quem sabe, então
O Rio será
Alguma cidade submersa
Os escafandristas virão
Explorar sua casa
Seu quarto, suas coisas
Sua alma, desvãos

Sábios em vão
Tentarão decifrar
O eco de antigas palavras
Fragmentos de cartas, poemas
Mentiras, retratos
Vestígios de estranha civilização

Não se afobe, não
Que nada é pra já
Amores serão sempre amáveis
Futuros amantes, quiçá
Se amarão sem saber
Com o amor que eu um dia
Deixei pra você


“A função do amor, é amar, não importa onde ele esteja, ele será amor em qualquer lugar. A musica relata a historia de dois amantes, dois namorados, que por algum motivo terminaram o relacionamento, mas o amor, continuou. Chico trata de dar características humanas a esse sentimento, dizendo que o amor não tem necessidades imediatas, não tem pressa e pode muito bem esperar. Ele é tão grande, tão verdadeiro, que consegue ficar calado dentro do peito, dentro do armário, esperando em silencio nas cartas que ainda não foram entregues, para cumprir a sua função de amar. E mesmo mudo, ele permanece presente e no ar, mostrando que embora calado, ainda existe. Mesmo que o tempo passe, que a cidade onde esses amantes se conheceram se torne uma cidade submersa, uma cidade perdida, o amor permanecerá lá, firme e intocável e se por acaso alguém que não ama tentar entender este sentimento, tentar transpo-lo em palavras, não irá conseguir. Nem os sábios, vão saber decifrar o eco daquele sentimento, porque é preciso amor para sentir as cartas, os retratos, os poemas. Quando amamos algumas vezes contamos mentiras e Chico trata de dizer, que apenas os apaixonados, os amantes, conseguirão entender tais mentiras, sem paixão, fica impossível. Na ultima estrofe e a minha preferida, fica claro o quanto o amor verdadeiro não muda com o passar dos anos. Ao dizer que “amores serão sempre amáveis” Chico dá um tapa de sentimento e poesia, porque de uma maneira sensacional, ele consegue nos dizer que não importa o que aconteceu, o que separou, o que levou ao fim o relacionamento, aquela pessoa que amamos, sempre nos trará sensações amáveis, mesmo com o fim de um relacionamento, aquele amor verdadeiro, sempre será bonito. Como se já não fosse suficientemente lindo e poético, nosso mestre entra em efervescência e conclui: “Futuros amantes, quiçá se amarão sem saber, com o amor que eu um dia deixei pra você.”, e podemos entender facilmente que Chico expõe a função do amor. Mesmo depois de anos, de milênios, de silêncio, aqueles amantes que terminaram, mas que houve um sentimento verdadeiro podem ficar tranquilos, pois o amor que viveu nos dois, irá encontrar outros amantes para cumpri a sua função de amar. Que todos aqueles que amarem e por acaso sofrerem com desse amor, estão amando com o mesmo amor, que aqueles amantes do passado, deixaram para os que vierem depois, os amantes do futuro.”
Comentário by Taay Vieira

"O mestre Chico deixa claro que o amor não tem pressa, é eterno.
O amor é visto como uma matéria, algo valioso
como relíquia e inatingível até mesmo pelo tempo, e que pode ser transposto a outros indivíduos. “Futuros amantes, quiçá se amarão sem saber com o amor que eu um dia deixei pra você”.
E o amor é colocado além da vida e da morte e além da humanidade. Essa resistência é colocada à prova, ao mesmo tempo que ele indica o lugar onde o amor acontece (Rio de Janeiro). “E quem sabe, então o Rio será alguma cidade submersa, os escafandristas virão explorar sua casa…”
A eterna contestação do amor aparece rendida, Como algo inexplicável em: Sábio em vão tentarão decifrar o eco de antigas palavras…”
Enfim, Chico fala do amor mais estabelecido na existência que se pode imaginar."
Comentário by Cristóvany Fróes

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