quarta-feira, 29 de agosto de 2012

AULA 10


Falar de ética é falar de convivência humana. São os problemas da convivência humana que geram o problema da ética. Há necessidade de ética porque os seres humanos não vivem isolados; e os seres humanos convivem não por escolha, mas por sua constituição vital. Há necessidade de ética porque há o outro ser humano. Mas o outro, para a ética, não é apenas o outro imediato, próximo, com quem convivo, ou com quem casualmente me deparo. O outro está presente também no futuro (temporalidade) e está presente em qualquer lugar, mesmo que distante (espacialidade). O princípio fundamental que constitui a ética é este: o outro é um sujeito de direitos e sua vida deve ser digna tanto quanto a minha deve ser.
O fundamento dos direitos e da dignidade do outro é a sua própria vida e a sua liberdade (possibilidade) de viver plenamente. As obrigações éticas da convivência humana devem pautar-se não apenas por aquilo que já temos, já realizamos, já somos, mas também por tudo aquilo que poderemos vir a ter, a realizar, a ser. As nossas possibilidades de ser são parte de nossos direitos e de nossos deveres. São partes da ética da convivência. A atitude ética é uma atitude de amor pela humanidade.
A moral tradicional do liberalismo econômico e político acostumou-nos a pensar que o campo da ética é o campo exclusivo das vontades e do livre arbítrio de cada indivíduo. Nessa tradição, também, a organização do sistema econômico-político-jurídico seria uma coisa "neutra", "natural", e não uma construção consciente e deliberada dos homens em sociedade. Por isso acostumamo-nos a julgar que não seja parte de minha responsabilidade ética a situação do desempregado, do faminto, do que migrou por causa da seca, do que não teve êxito na escola etc., só porque esses males não foram produzidos por mim diretamente.
Um sistema econômico-político-jurídico que produz estruturalmente desigualdades, injustiças, discriminações, exclusões de direitos etc., é um sistema eticamente mau, por mais que seja legalmente (moralmente) constituído. Em conseqüência, pelo outro lado: o fato de existirem injustiças sociais obriga-me eticamente a agir de modo a contribuir para a sua superação.
O sistema econômico é o fator mais determinante de toda a ordem (e desordem) social. É o principal gerador dos problemas, assim como das soluções éticas. O fato de o sistema econômico parecer ter vidas próprias, independentes da vontade dos homens, contribui para ofuscar a responsabilidade ética dos que estão em seu comando. O sistema econômico mundial, do ponto de vista dos que o comandam, é uma vasta e complexa rede de hábitos consentidos e de compromissos reciprocamente assumidos, o que faz parecer que sua responsabilidade ética individual não exista.
A globalização (falsa universalidade) do sistema econômico cria a ilusão de que ele seja legítimo. As multidões crescentes de desempregados, famintos e excluídos, entretanto, são as demonstrações dessa ilusão. A moral dominante do sistema econômico diz que, pelo trabalho, qualquer indivíduo pode ter acesso à riqueza. A crítica econômica diz que a reprodução da miséria econômica é estrutural. A ética diz que, sendo assim, exigem-se transformações radicais e globais na estrutura do sistema econômico.
A voracidade predatória do sistema econômico vigente o faz enxergar a natureza tão somente como fonte de matérias-primas para a produção de mercadorias. Com isso a natureza torna-se ela própria uma mercadoria. O trabalho é a ação humana que transforma a natureza para o homem. Mas para que o trabalho cumpra essa finalidade de sustentar e humanizar o homem deve realizar-se de modo auto-sustentável para a natureza e para o homem.
A voracidade predatória de nosso sistema econômico está rompendo perigosamente o equilíbrio de auto-sustentabilidade entre a natureza e o homem. Este é um dos problemas éticos mais radicais da nossa geração, pois ameaça a sobrevivência futura do planeta e da humanidade. Para se falar em dignidade da vida é preciso, antes, que haja vida. A moral dominante desse sistema econômico separa a natureza da cultura, e com isso desumaniza a natureza e desnaturaliza o homem. Preservar e cuidar da natureza é preservar e cuidar da humanidade, das gerações atuais e futuras. Preservar e cuidar do meio ambiente é uma responsabilidade ética diante da natureza humana.
A educação é uma socialização das novas gerações de uma sociedade e, enquanto tal, conserva os valores dominantes (a moral) naquela sociedade. A educação é também uma possibilidade e um impulso à transformação: desenvolvimento das potencialidades dos educandos.
Toda educação é uma ação interativa: faz-se mediante informações, comunicação, diálogo entre seres humanos. Em toda educação há um outro em relação. Em toda educação, por tudo isso, a ética está implicada. Uma educação pode ser eficiente enquanto processo formativo e ao mesmo tempo, eticamente mau, como foi a educação nazista, por exemplo.
Pode ser boa do ponto de vista da moral vigente e má do ponto de vista ético. A educação ética (ou, a ética na educação) acontece quando os valores no conteúdo e no exercício do ato de educar são valores humanos e humanizadores: a igualdade cívica, a justiça, a dignidade da pessoa, a democracia, a solidariedade, o desenvolvimento integral de cada um e de todos.
 Ética e política
Política é a ação humana que deve ter por objetivo a realização plena dos direitos e, portanto, da cidadania para todos. O projeto da política, assim, é o de realizar a ética, fazendo coincidir com ela a realização da vontade coletiva dos cidadãos, o interesse público. A função ética da política é eliminar, numa ponta, os privilégios de poucos; na outra ponta, as carências de muitos; e instaurar o direito para todos.
São inegáveis os aprimoramentos das instituições políticas no Brasil, ao longo da sua história. Mas são inegáveis igualmente as traições de uma parte da classe política contra essas instituições e contra o mandato que lhes foi confiado. Requer-se, pois, o exercício da cidadania ativa e criativa, tanto pelos políticos quanto pelos cidadãos: reforçando-se e aprimorando-se as instituições políticas, fazendo-as valer de direito e de fato. A cidadania ativa, como luta pelos próprios direitos e pelos direitos de todos, é o exercício cotidiano da ética na política.
A corrupção é a suprema perversidade da vida econômica e da vida política de uma sociedade. É a subversão dos valores social e culturalmente proclamados e assumidos como legítimos. A corrupção seja ativa ou passiva, é a força contrária, o contrafluxo destruidor da ordem social. É a negação radical da ética, porque destrói na raiz as instituições criadas para realizar direitos. A corrupção é antiética.
A corrupção pode, em situações extremas e absurdas, chegar a tornar-se a moral estabelecida, a ponto de gerar nos cidadãos o conformismo com o mal social. A história recente de nosso país tem nesse ponto um dos maiores desafios a enfrentar. Ou bem os cidadãos reagem ativamente e os responsáveis legais agem exemplarmente sem concessões à impunidade, ou bem o país avança rapidamente para a desagregação. Indignar-se, resistir e combater a corrupção é um dos principais desafios éticos da política no Brasil.
As instituições sociais e políticas têm uma história. É impossível não se reconhecer o seu desenvolvimento e o seu progresso em muitos aspectos, pelo menos do ponto de vista formal. A escravidão era legal no Brasil até 120 anos atrás. As mulheres brasileiras conquistaram o direito de votar apenas há 60 anos e os analfabetos apenas há 12 anos. Chamamos isso de ampliação da cidadania.
Mas há direitos formais (civis, políticos e sociais) que nem sempre se realizam como direitos reais. A cidadania nem sempre é uma realidade efetiva, nem para todos. A efetivação da cidadania e a consciência coletiva dessa condição são indicadores do desenvolvimento moral e ético de uma sociedade. Para a ética não basta que exista um elenco de princípios fundamentais e direitos definidos nas Constituições. O desafio ético para uma nação é o de universalizar os direitos reais, permitindo a todos as cidadanias plenas, cotidianas e ativas.
ética tem por finalidade a investigação, análise e explicação do comportamento moral humano, ou seja, o conjunto de princípios e valores que orientam as relações humanas. Os dez mandamentos são considerados como sendo o primeiro código ético e remontam à Antigüidade.
Cidadania é um processo que começou nos primórdios da humanidade, não é algo pronto, acabado. A cidadania se efetiva num processo de conhecimento e conquista dos direitos humanos. Inúmeros são os direitos que deveriam ser naturais de todo ser humano: o direito à vida, à igualdade, etc.; independentemente de cor, sexo, religião ou nacionalidade.

quinta-feira, 9 de agosto de 2012

AULA 9: VÍDEO-AULA "ÉTICA"

AULA 8: A IMPORTÂNCIA DA ÉTICA

AULA 7: POR QUE A ÉTICA É NECESSÁRIA E IMPORTANTE?


POR QUE A ÉTICA É NECESSÁRIA E IMPORTANTE?
A ética tem sido o principal regulador do desenvolvimento histórico-cultural da humanidade. Sem ética, ou seja, sem a referência a princípios humanitários fundamentais comuns a todos os povos, nações, religiões etc, a humanidade já teria se despedaçado até à autodestruição. Também é verdade que a ética não garante o progresso moral da humanidade. O fato de que os seres humanos são capazes de concordar minimamente entre si sobre princípios como justiça, igualdade de direitos, dignidade da pessoa humana, cidadania plena, solidariedade etc., cria chances para que esses princípios possam vir a ser posto em prática, mas não garante o seu cumprimento. As nações do mundo já entraram em acordo em torno de muitos desses princípios. A "Declaração Universal dos Direitos Humanos", pela ONU (1948), é uma demonstração de o quanto a ética é necessária e importante. Mas a ética não basta como teoria, nem como princípios gerais acordados pelas nações, povos, religiões etc.
Nem basta que as Constituições dos países reproduzam esses princípios (como a Constituição Brasileira o fez, em 1988). É preciso que cada cidadão e cidadã incorporem esses princípios como uma atitude prática diante da vida cotidiana, de modo a pautar por eles seu comportamento. Isso traz uma conseqüência inevitável: freqüentemente o exercício pleno da cidadania (ética) entra em colisão frontal com a moral vigente... Até porque a moral vigente, sob pressão dos interesses econômicos e de mercado, está sujeita a freqüentes e graves degenerações.
Não só no Brasil se fala muito em ética hoje. Mas temos motivos de sobra para nos preocuparmos com a ética no Brasil. O fato é que em nosso país assistimos a uma degradação moral acelerada, principalmente na política. Ou será que essa baixeza moral sempre existiu? Será que hoje ela está apenas vindo a público? Uma ou outra razão, ou ambas combinadas são motivos suficientes para uma reação ética dos cidadãos conscientes de sua cidadania.
O tipo de desenvolvimento econômico vigente no Brasil tem gerado estruturalmente e sistematicamente situações práticas contrárias aos princípios éticos: gera desigualdades crescentes, gera injustiças, rompe laços de solidariedade, reduz ou extingue direitos, lança populações inteiras a condições de vida cada vez mais indignas. E tudo isso convive com situações escandalosas, como o enriquecimento ilícito de alguns, a impunidade de outros, a prosperidade da hipocrisia política de muitos etc. Afinal, a hipocrisia será de todos se todos não reagirem eticamente para fazer valer plenamente os direitos civis, políticos e sociais proclamados por nossa Constituição.

AULA 6: Elisa Lucinda - Só de Sacanagem




Só de Sacanagem

Elisa Lucinda

Meu coração está aos pulos!
Quantas vezes minha esperança será posta à prova?
Por quantas provas terá ela que passar?
Tudo isso que está aí no ar, malas, cuecas que voam
entupidas de dinheiro, do meu dinheiro, que reservo
duramente para educar os meninos mais pobres que eu,
para cuidar gratuitamente da saúde deles e dos seus
pais, esse dinheiro viaja na bagagem da impunidade e
eu não posso mais.
Quantas vezes, meu amigo, meu rapaz, minha confiança
vai ser posta à prova? Quantas vezes minha esperança
vai esperar no cais?
É certo que tempos difíceis existem para aperfeiçoar o
aprendiz, mas não é certo que a mentira dos maus
brasileiros venha quebrar no nosso nariz.
Meu coração está no escuro, a luz é simples, regada ao
conselho simples de meu pai, minha mãe, minha avó e
dos justos que os precederam: "Não roubarás", "Devolva
o lápis do coleguinha",
" Esse apontador não é seu, minha filhinha".
Ao invés disso, tanta coisa nojenta e torpe tenho tido
que escutar.
Até habeas corpus preventivo, coisa da qual nunca
tinha visto falar e sobre a qual minha pobre lógica
ainda insiste: esse é o tipo de benefício que só ao
culpado interessará.
Pois bem, se mexeram comigo, com a velha e fiel fé do
meu povo sofrido, então agora eu vou sacanear:
mais honesta ainda vou ficar.
Só de sacanagem!
Dirão: "Deixa de ser boba, desde Cabral que aqui todo
o mundo rouba" e eu vou dizer: Não importa, será esse
o meu carnaval, vou confiar mais e outra vez. Eu, meu
irmão, meu filho e meus amigos, vamos pagar limpo a
quem a gente deve e receber limpo do nosso freguês.
Com o tempo a gente consegue ser livre, ético e o
escambau.
Dirão: "É inútil, todo o mundo aqui é corrupto, desde
o primeiro homem que veio de Portugal".
Eu direi: Não admito, minha esperança é imortal.
Eu repito, ouviram? IMORTAL!
Sei que não dá para mudar o começo mas, se a gente
quiser, vai dá para mudar o final!

AULA 5: O QUE É ÉTICA E MORAL?

AULA 4: VÍDEO-AULA ÉTICA

AULA 3: O QUE É ÉTICA


A ética não se confunde com a moral. A moral é a regulação dos valores e comportamentos considerados legítimos por uma determinada sociedade, um povo, uma religião, uma certa tradição cultural etc. Há morais específicas, também, em grupos sociais mais restritos: uma instituição, um partido político...
Há, portanto, muitas e diversas morais. Isto significa dizer que uma moral é um fenômeno social particular, que não tem compromisso com a universalidade, isto é, com o que é válido e de direito para todos os homens. Exceto quando atacada: justifica-se se dizendo universal, supostamente válida para todos. Mas, então, todas e quaisquer normas morais são legítimas?
Não deveria existir alguma forma de julgamento da validade das morais? Existe, e essa forma é o que chamamos de ética. A ética é uma reflexão crítica sobre a moralidade. Mas ela não é puramente teoria. A ética é um conjunto de princípios e disposições voltados para a ação, historicamente produzidos, cujo objetivo é balizar as ações humanas.
A ética existe como uma referência para os seres humanos em sociedade, de modo tal que a sociedade possa se tornar cada vez mais humana. A ética pode e deve ser incorporada pelos indivíduos, sob a forma de uma atitude diante da vida cotidiana, capaz de julgar criticamente os apelos a críticos da moral vigente. Mas a ética, tanto quanto a moral, não é um conjunto de verdades fixas, imutáveis. A ética se move, historicamente, se amplia e se adensa. Para entendermos como isso acontece na história da humanidade, basta lembrarmos que, um dia, a escravidão foi considerada "natural". Entre a moral e a ética há uma tensão permanente: a ação moral busca uma compreensão e uma justificação crítica universal, e a ética, por sua vez, exerce uma permanente vigilância crítica sobre a moral, para reforçá-la ou transformá-la.
A ética ilumina a consciência humana, sustenta e dirige as ações do homem, norteando a conduta individual e social. É um produto histórico-cultural e, como tal, define o que é virtude, o que é bom ou mal, certo ou errado, permitido ou proibido, para cada cultura e sociedade.
Dessa maneira, a ética é universal, enquanto estabelece um código de condutas morais válidos para todos os membros de uma determinada sociedade e, ao mesmo tempo, tal código é relativo ao contexto sócio-político-econômico e cultural onde vivem os sujeitos éticos e onde realizam suas ações morais.

domingo, 5 de agosto de 2012

AULA 2: NOÇÕES DE ÉTICA PROFISSIONAL


Blog de professorbacchelli :Professor Bacchelli, Aula de Ética Profissional I ( 1ª aula )Noções de Ética Profissional

A divisão do trabalho social e o surgimento da Ética Profissional
Isolado ou em sociedade, o homem trabalho para a produção de bens e para o seu sustento.
Assim, trabalhando (vendendo, comprando, prestando serviço, permutando) ele se relaciona e se apresenta como profissional.
Em razão de seus conhecimentos profissionais específicos, tende a forma associações integradas por profissionais de uma mesma área. Médicos, advogados, engenheiros, corretores etc.
Organizado, o indivíduo deve compreender e respeitar o fato de que ele é parte do todo e não o todo. Os seus interesses não são os interesses do grupo, muitas vezes, são antagônicos.
Esse respeito às regras é o que chamamos “disciplina moral”
Do ponto de vista da Ética, não deve o profissional, portanto, ignorar sua condição, pois, quanto mais importante e elevada for sua atividade, mais esta se projetará, eticamente, sobre seus atos, compelindo-o a uma conduta que o valorize como trabalhador, bem como a profissão que exerça.
Atividade, ofício e profissão
Atividade é toda espécie de trabalho que dispensa qualificação profissional, de modo que qualquer indivíduo acha-se, em princípio, apto a exercê-la. Em regra não são regulamentadas e dispensa formação profissional.
Ofício é espécie de trabalho que, embora regulamentada, dispensa uma formação sofisticada como aquela exigida para a profissão, pode exigir conhecimentos técnicos.
Profissão é o trabalho que pressupõe formação mais sofisticada, de nível universitário. A própria sociedade melhor recepciona a profissão.  

AULA 1: CONTEÚDO DE FILOSOFIA ÉTICA E DIREITO DO TRABALHO - I UNIDADE

AULA 13: VÍVEO AULA "Denotação e conotação"

AULA 12: DIFERENÇA ENTRE DENOTAÇÃO E CONOTAÇÃO


Diferença entre Denotação e Conotação


Ao redigir um texto, o autor pode optar por usar a palavra com o sentido que está no dicionário ou não. Em qualquer texto que estivermos lendo, não podemos considerar a palavra sem considerar o contexto em que ela foi empregada. Quando falamos das possibilidades de significação das palavras, estamos falando sobre conotação e denotação.

Emprego da palavra com sentido denotativo

Dizemos que uma palavra está sendo empregada com sentido denotativo, quando é utilizada com seu significado real, aquele que aparece no dicionário. Desta forma, temos as construções comuns da nossa fala cotidiana, uma vez que esta tem como objetivo principal emitir uma mensagem ao nosso interlocutor. Este tipo de discurso privilegia o uso de termos com sentido denotativo pela necessidade de se fazer entender pelo outro sem muitas dificuldades.
Instruções, avisos, bulas de remédios, receitas, textos técnicos em geral preferirão o uso das palavras denotativamente para facilitar a compreensão do leitor, ouvinte, aprendiz. Isso implica dizer que quando alguém colocar no portão a placa que pede a você “Cuidado com o cão!”, ela não está pedindo para você ficar atento ao diabo, e sim que você se preocupe com o cachorro que circula por ali.

Emprego da palavra com sentido conotativo

Dizemos que uma palavra está sendo empregada de modo conotativo, quando é utilizada com sentido fantasioso, imaginário, que pode ser entendido pelo contexto em que a palavra foi empregada. Verifica-se este tipo de ocorrência principalmente pelo uso das figuras de linguagem. Textos literários favorecem o uso deste tipo de construção por se tratar de um recurso estético que valoriza a mensagem que se deseja passar. Vejamos esta partícula dos ressonantes versos de Camões:
Amor é fogo que arde…” (metáfora)
Nossa mente não consegue criar uma forma para o amor, uma vez que este é substantivo abstrato, mas consegue criar uma forma para fogo. Ainda assim, não fosse o contexto, seria impossível relacionar a forma fogo à palavra amor. Se o amor está assumindo a forma do fogo, ele está sendo caracterizado conotativamente.
 As conversas do dia a dia também empregam as palavras conotativamente, principalmente em expressões idiomáticas:
“Ele está que é pele e osso!” (para dizer que alguém está magro demais – hipérbole)
 Os anúncios publicitários também utilizam a conotação para oferecer ao leitor/ouvinte/espectador múltiplas interpretações para uma mesma informação:
“Gazeta. A primeira!”
Este slogan da Rádio Gazeta FM da cidade de São Paulo pode induzir o ouvinte ao entendimento de que esta é a estação de rádio de maior audiência da cidade. No entanto, ele apenas indica que esta estação é a primeira sintonia FM (88,1) no dial do seu rádio.
Qualquer leitor/ouvinte/espectador ingênuo pode se perder por não se atentar ao modo como as palavras estão sendo empregadas nos textos com os quais ele tem contato. É de fundamental importância que a denotação ou conotação sejam percebidas de imediato para que não haja o risco de uma interpretação equivocada daquilo que se está lendo, ouvindo ou assistindo.  Aprenda mais sobre figuras de linguagem aqui no nosso blog e corra menos riscos de ser uma das vítimas das armadilhas da nossa Língua Portuguesa.

E você, ainda tem alguma dúvida sobre os sentidos conotativo e denotativo?

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AULA 11: ATIVIDADE COMPLEMENTAR 4


Prezado(a)s aluno(a)s, seguem algumas questões sobre o tema Denotação X Conotação.
1. Assinale o segmento em que NÃO foram usadas palavras em sentido figurado:

a) Lendo o futuro no passado dos políticos (...)
b) As fontes é que iam beber em seus ouvidos.
c) Eram 75 linhas que jorravam na máquina de escrever com regularidade mecânica.
d) Antes do meio-dia, a coluna estava pronta.
e) (...) capaz de cortar com a elegância de um golpe de florete.

2. Assinale a alternativa cujo termo grifado NÃO é linguagem conotativa:

a) “... mas um defunto autor, para quem a campa foi outro berço ”
b) “Acresce que chovia - peneirava - uma chuvinha miúda, triste”
c) “A natureza parece estar chorando a perda irreparável ...”
d) “... no discurso que proferiu à beira da minha cova.”

3. O item em que o termo sublinhado está empregado no sentido denotativo é:

a) “Além dos ganhos econômicos, a nova realidade rendeu frutos políticos.”
b) “...com percentuais capazes de causar inveja ao presidente.”
c) “Os genéricos estão abrindo as portas do mercado...”
d) “...a indústria disparou gordos investimentos.”
e) “Colheu uma revelação surpreendente:...”

4. Marque a alternativa cuja frase apresenta palavra(s) empregada(s) em sentido figurado:

a) O homem procura novos caminhos na tentativa de fixar suas raízes.
b) “Mas lá, no ano dois mil, tudo pode acontecer. Hoje, não.”
c) “... os planejadores fizeram dele a meta e o ponto de partida.”
d) “Pode estabelecer regras que conduzam a um viver tranquilo ...”
e) “Evidentemente, (...) as transformações serão mais rápidas.”

5. Assinale a alternativa em que NÃO há palavra empregada em sentido figurado:

a) “O estrangeiro ainda tropeça com muita frequência na incompreensão das sociedades por onde passa.”
b) “Quando a luz estender a roupa nos telhados, seremos, na manhã, duas máscaras calmas.”(Mário Quintana)
c) “Vejo que o amor que te dedico aumenta seguindo a trilha de meu próprio espanto.”
d) Não, eu te peço, não te ausentes / Porque a dor que agora sentes / Só se esquece no perdão.”
e) “Sinto que o tempo sobre mim abate sua mão pesada.” (Carlos Drummond de Andrade)

AULA 10: DENOTAÇÃO E CONOTAÇÃO

DENOTAÇÃO E CONOTAÇÃO


SENTIDO DENOTATIVO: É a linguagem comum, objetiva, científica.
EX: - O leão é um animal feroz.
- leão = animal (sentido próprio, verdadeiro
SENTIDO CONOTATIVO: É a linguagem poética, literária, diferente
da linguagem comum.
EX: - Aquele homem é um leão.
- leão = pessoa forte, brava (sentido figurado, irreal)


1- NUMERE EM QUE SENTIDO FORAM EMPREGADAS AS PALAVRAS

DENOTATIVO (1), ou CONOTATIVO (2):
(___________) Meu pai é meu espelho
(___________) Quebrei o espelho do banheiro
(___________) Essa menina tem um coração de ouro.
(___________) A Praça da Sé fica no coração de São Paulo.
(___________) Fez um transplante de coração.
(___________) Você é mesmo mau: tem um coração de pedra.
(___________) Para vencer a guerra era preciso alcançar o coração do país.
(___________) Completou vinte primaveras.
(___________) Na primavera os campos florescem.
(___________) O leão procurou o gerente da Metro.
(___________) O metro é uma unidade de comprimento.
(___________) Estava tudo em pé de guerra.
(___________) Ela estava com os pés inchados.
(___________) É órfão de afeto.
(___________) Muito cedo ele ficou órfão de pai.
(___________) Caíram da escada.
(___________) O leão caiu num sono profundo.
(___________) Feriu-se na boca.
(___________) Vem o Flamengo apontando a boca do túnel.
(___________) O alpinista conseguiu escalar a montanha.
(___________) Ela disse uma montanha de absurdos.
(___________) Este cavalo venceu a corrida.
(___________) Você foi um cavalo durante a partida.
(___________) Nosso goleiro engoliu um frango naquele jogo.
(___________) Correu muito, mas não apanhou o frango carijó.
(___________) A tempestade já conspirava no ar.
(___________) Os cascos do animal tiravam fogo dos seixos do caminho.
(___________) O pescador vinha chegando.
(___________) O chão era uma confusão desolada de galhos.
(___________) A casa estava no meio de um vale que o sol beijava.
(___________) A varanda corria ao longo da face norte da casa.
(___________) Havia outros cães.